terça-feira, 16 de março de 2010

Caio Induscar e Volvo fecham parceria para produção de 400 ônibus no México

A Caio Induscar, representada pelos diretores Paulo Ruas, diretor comercial, e Maurício Lourenço da Cunha, diretor industrial, assinou contrato com a Volvo México para a fabricação de carrocerias urbanas, piso alto e baixo, modelos Mondego e Millennium.

O evento para assinatura aconteceu no dia 06 de março. Estiveram presentes os representantes das concessionárias da Volvo, o presidente mundial de ônibus, Håkan Karlsson, o vice-presidente das Américas e África, Tore Bäckström, o presidente, Noel Reculet, e diretores da empresa no México.

Durante a cerimônia, esta parceria foi também comunicada a todos os colaboradores da Volvo e autoridades do Governo Mexicano.

A operação já iniciou e as primeiras unidades em CKD, parcialmente desmontadas, produzidas na planta da Caio Induscar, em Botucatu, serão embarcadas no início de abril para serem montadas no país.

A encarroçadora projeta a produção de 150 unidades neste ano e 250 no próximo.


Fonte: Caio Induscar

domingo, 24 de janeiro de 2010

ESPECIAL SÃO PAULO 456 ANOS - Fatos importantes e uma reflexão sobre a história dos transportes por ônibus na cidade

Com o crescimento populacional, os trilhos dos bondes não conseguiram acompanhar a expansão territorial urbana de São Paulo. Entraram então os ônibus, que se consolidaram entre os anos 20 e 40

Quando se fala na cidade de São Paulo, se fala em ônibus. E isso não é papo de busólogo. Os números e a história de como se deu o desenvolvimento urbano da Capital mostram essa realidade. E nada melhor do que na época em que a cidade faz 456 anos, relembrar a fase que esse modal de transporte se consolidou na cidade. Essa fase contempla justamente os anos entre 1940 e 1950.

De acordo com dados oficiais da SPTrans – São Paulo Transportes, empresa responsável pelo gerenciamento dos transportes coletivos municipais de São Paulo, os passageiros do sistema rodaram as catracas dos ônibus nada mais nada menos que 2 bilhões, 627 milhões, 234 mil e 312 vezes. O universo da frota cadastrada da cidade, só de ônibus municipais, descontando os que vêm de outras cidades e os fretados, contempla 14 mil 935 veículos, que prestam serviços em 1346 linhas. Os dados são referentes ao período de janeiro a novembro de 2009 e mostram porque São Paulo é a maior capital da América Latina quando se fala em ônibus.

Mas estes números impressionantes nasceram nos anos 20, quando pequenos empreendedores e desbravadores urbanos começaram a sentir o crescimento da cidade de São Paulo e que ela se tornaria uma metrópole. Eram visionários e desbravadores urbanos. E os ônibus se tornaram o principal meio de transporte coletivo da cidade de São Paulo pela forma muito rápida em que se deu o crescimento do município a partir dos anos 20. Soma-se a este fator a crise de energia elétrica que ocorreu neste período.

Até esta época, o principal meio de transporte público municipal eram os bondes. Eles ligavam bairros já desenvolvidos da cidade (para a época) à região central. A primeira linha de bonde elétrico que se tem registro na cidade de São Paulo é datada de 7 de maio de 1900. Ela foi inaugurada pela Companhia Viação Paulista. Um ano depois, a empresa que fazia a ligação Barra Funda – Largo São Bento fale e o patrimônio e serviços são assumidos pela Light & Power Co. Nesta época, São Paulo contava com aproximadamente 240 mil habitantes.

O surgimento de um perfil industrial e empregatício que São Paulo assumiu também foi responsável pelos aperfeiçoamentos dos transportes na cidade. São Paulo tornava-se populosa porque atraía pessoas em busca de emprego. Inicialmente, as indústrias eram construídas na região atendida pela linha de trem da São Paulo Railway, que ligava Santos a Jundiaí, passando pelo ABC Paulista e Capital de São Paulo. Idealizada por Irineu Evangelista de Sousa, ou simplesmente o Barão de Mauá, e engenheiros ingleses, a linha de trem foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1867. Tornou-se o principal meio de escoamento da produção agrícola para Santos e onde se inaugurava uma estação de trem, logo a região ficava mais populosa e as indústrias se interessavam pela facilidade dos transportes.

Assim, a relação indústria e transportes foi de início uma via de mão dupla. Com a São Paulo Railway, a cidade se tornava interessante para a indústria. Com a industria, a cidade se tornava interessante para imigrantes e migrantes e com a população maior a cidade se tornava interessante para outros meios de transporte. Por causa do crescimento populacional e da especulação imobiliária (que tornava caros os terrenos perto de indústrias), os bairros com características urbanas foram se afastando das margens das estações da São Paulo Railway e do centro da cidade, tornando as ligações entre zonas residências e de geração de emprego mais necessárias.

Até os anos 20, os bondes davam conta dessa demanda de passageiros, principalmente trabalhadores. Os bairros se uniam, com limites imaginários, e nas proximidades da região central ofereciam estrutura para a construção de linhas e colocação dos trilhos. Só que a partir desta década, o crescimento da cidade de São Paulo começou a se dar de forma rápida e em muitas regiões desorganizada. Os trilhos dos bondes não conseguiam acompanhar o avanço para as periferias, as regiões mais afastadas do pólo central e dos pólos industriais. Além disso, por causa do relevo, algumas áreas não ofereciam estrutura viária suficiente. Começaram a surgir em maior número os serviços de auto-ônibus, um modal de transporte mais flexível e que, apesar das dificuldades de ruas de terra e estreitas na periferia, conseguiam chegar onde os trilhos não iam. Além disso, a implantação do sistema de bonde requeria um investimento financeiro maior que os ônibus, que enfrentavam o barro com coragem e força. A flexibilidade que o bonde não oferecia.

O serviço de auto ônibus em São Paulo é anterior aos anos 20, mas foi nesta época que ele conseguiu se consolidar. Já em 1910, a indústria de carruagens Irmãos Grassi construiu para a Hospedaria dos Imigrantes uma carroceria de auto-ônibus sobre um chassi francês Dion Bouton, que levava os imigrantes recém chegados ao Brasil das estações de trem até a Hospedaria. Em 1911, é inaugurada a primeira empresa de ônibus registrada na cidade de São Paulo, que se tem conhecimento. Era a Companhia Transportes Auto Paulista. Possuía um veículo de carroceria de madeira, com mecânica Saurer. O pequeno ônibus transportava até 25 passageiros e não tinha itinerário e horários fixos. Também em 1911, há o registro de um serviço de auto-ônibus que pela manhã transportava passageiros que utilizavam a Estação do Brás e na parte da tarde, realizava viagens para a região do Parque Antártica e Avenida Paulista. Nesta época, o município de São Paulo tinha cerca de 2 mil veículos. A maior parte das experiências de transporte por auto-ônibus antes dos anos 20 era tímida: as linhas curtas, os veículos bem primitivos e os serviços duravam pouco tempo.

CRISE ENERGÉTICA: A OPORTUNIDADE PARA OS ÔNIBUS DE SÃO PAULO
Além do crescimento rápido dos bairros, mais rapidamente do que os trilhos do bonde poderiam alcançar, um outro fator foi estímulo para a proliferação do serviço de auto-ônibus na cidade de São Paulo. Os anos de 1923 e 1924 foram marcados por uma grande seca, comprometendo a geração de energia nas usinas hidrelétricas. O serviço de bonde não contava com toda a energia disponível. A solução encontrada foi incentivar empreendedores que possuíam auto-ônibus. Nesta época, a cidade já tinha 700 mil habitantes, ou seja, mais que triplicou em relação aos anos de 1910. A própria empresa que operava os transportes em São Paulo por bonde, a Light & Power Co. teve de aderir aos ônibus para complementar o prejudicado serviço por trilhos. Entre 1926 e 1932, a empresa importou e operou 50 ônibus do modelo e marca Yellow Coach. Por causa da cor cinza esverdeada, os ônibus foram apelidados de “Jacaré” pela população paulistana. Vale lembrar que nesta época, a Ligth propôs à Prefeitura de São Paulo um plano integrado de transportes de diferentes modaos a longo prazo, incluindo uma rede metroviária, mas a proposta foi negada pela Prefeitura. O metrô só seria implantado nos anos 70 em São Paulo. Aproveitando todo este cenário, de crise energética e crescimento urbano além do alcance dos trilhos, os donos de ônibus, que possuíam um ou dois veículos, começaram a ter uma postura empresarial.

Entre os anos 20 e 30, as empresas iam surgindo. Algumas, ganhando espaço com acordos com empresas imobiliárias que loteavam terrenos. Os bairros eram loteados e antes mesmo que viesse um número substancial de moradores, os donos de ônibus eram contratados pelos proprietários dos lotes á venda. A presença dos ônibus era atrativo para novos moradores. Outras, ganharam espaço pelo pura demanda de passageiros em algumas regiões.

São várias as empresas que nasceram entre os anos 20 e 30, mas algumas ganharam destaque. Em 1927, o empresário Luis Gatti funda a Viação Gato Preto, ainda em operação na cidade de São Paulo e uma das mais tradicionais da cidade. Em 1928, mesmo com a linha de trens São Paulo Railway, um serviço de ônibus era inaugurado entre São Paulo e Santos. Veículos da marca Saurer faziam três viagens por dia, entre ida e volta até o Litoral Paulista. Em 1933, a própria São Paulo Railway adere os serviços de ônibus e cria a Companhia Geral de Transportes, que em 1933, também fazia a ligação São Paulo – Santos, com veículos da marca Thornycroft, encarroçados pela Grassi, a primeira indústria nacional de carroceria de ônibus. Tudo isso, bem antes da existência da Rodovia Anchieta, que foi inaugurada somente em 1947. A região metropolitana já dava ares de que seria uma realidade nos anos 30. Por causa da industrialização ao longo da linha da São Paulo Railway, não só SãoPaulo crescia, mas as cidades vizinhas também. As ligações entre a Capital Paulista e os municípios da Grande São Paulo começaram a aparecer. Em 1931, a EAOSA – Empresa Auto ônibus Santo André, unia o centro da cidade de São Paulo, bairros paulistanos e a cidade de Santo André, no ABC Paulista.

Foi também no início dos anos 30 que os trânsito, aliado à necessidade de transportes, começou a ser problema em São Paulo, que já caminhava para se tornar metrópole. O trânsito já era tão problemático na época que fez o prefeito Prestes Mauá a criar o Plano de Avenidas, que remodelou o centro da cidade de São Paulo, foi responsável por várias desapropriações residenciais. A população que deixava o centro para dar espaço ao comercia, avenidas e indústrias ia para os bairros, o que significava mais demanda para os ônibus e a impossibilidade de o bonde atender uma demanda que antes era servida por ele.

De acordo com estimativa da Prefeitura de São Paulo, em 1932, a cidade já possuía mais de 400 ônibus. No dia 8 de julho de 1932, era fundada a Auto Ônibus Jabaquara, por Arthur Brandi e a família Havelange. A empresa ligava o centro de São Paulo ao então recém loteado bairro do Jabaquara. Os ônibus da Auto Viação Jabaquara foram responsáveis, em parte, pelo adensamento populacional da região do Jabaquara. Um pouco distante do centro, os loteadores usaram o ônibus como propaganda para atrair novos moradores. A Auto Viação Jabaquara se tornaria, em 1949, na Viação Cometa, após a aquisição de uma linha que ligava São Paulo a Santos. A Viação Cometa é uma das empresas de ônibus mais tradicionais do País. No ano de 1933, a cidade de São Paulo já contava com seu primeiro milhão de habitantes.

Em 1934, nascia mais uma empresa de grande porte para a época. Era a Empresa Paulista de ônibus Mooca, fundada em 17 de janeiro de 1934, por Caetano Fiorese, Vitor Prugis e João Fernandes. Também em 1934, a Vila Gulherme, na zona Norte de São Paulo ganhava sua primeira linha de ônibus, a jardineira do Senhor Alípio, que ligava o bairro até a Praça do Correio. Anos depois, a linha foi assumida por uma empresa que ganhou grande porte na cidade de São Paulo, a Empresa auto ônibus Parada Inglesa. Em 1935, destacava-se a linha Centro de São Paulo – Bom Retiro.


A NECESSIDADE DE UMA REORGANIZAÇÃO NOS TRANSPORTES PÚBLICOS

As empresas e linhas citadas na matéria são apenas exemplos da expansão dos ônibus em São Paulo, cuja frota que a Prefeitura tinha conhecimento, passara de 400 ônibus em 1932 para 3 mil veículos em 1941, em 90 linhas regulares. A frota de bondes mantinha-se em 500 veículos. As concessões e permissões eram dadas pelo poder público. Mas havia muitos clandestinos, os serviços de transportes e o trânsito estavam entrando em descontrole por parte do poder público. Empresas diferentes se degladiavam pelas linhas mais rentáveis, enquanto em algumas regiões, mas afastadas e menos populosas, sofriam carência de transportes. Há relatos de até ameaças entre donos de ônibus que queriam explorar uma determinada região.

Mesmo sendo um transporte por asfalto, era necessário colocar os ônibus nos trilhos. Havia ainda mais um agravante. Frente a concorrência dos ônibus, a Light mostra-se desinteressada a explorar os transportes na cidade de São Paulo. O bonde não trazia mais o mesmo lucro. Além disso, o sistema era caro para se implantar. Investia-se tempo e dinheiro numa linha enquanto que da noite para o dia, poderia aparecer um dono de ônibus e explorar o mesmo trajeto.

A Light queria deixar as operações de transportes em 1941, término de seu contrato inicial, mas por determinação do Governo Federal, devido a escassez de petróleo, gerada pela Segunda Guerra Mundial, é obrigada a prestar serviços até 1946. Por causa da desorganização dos serviços de transportes públicos em São Paulo por ônibus, do abandono dos bondes, do trânsito caótico e a da necessidade de distribuir melhor a oferta de transportes, o prefeito Prestes Maia cria a CETS - Comissão de Estudos de Transporte Coletivo do Município de São Paulo.

O primeiro Raio X dos Transportes Coletivos feito pela Comissão foi em 1943. Nele, além de apontar deficiências e traçar um panorama do desorganizado serviço de ônibus, o poder público dá o parecer de que para a ocasião, com o fim das operações da Light, uma das saídas mais práticas seria o monopólio governamental do Sistema de Transportes Coletivos. O objetivo era, além de o poder público municipal assumir os bondes, racionalizar as linhas dos ônibus, evitando trajetos sobrepostos em detrimento de bairros não atendidos. A criação de uma empresa de transportes coletivos municipal já dava ares de acontecer. E foi o que ocorreu anos mais tarde.

O ano foi 1946, quando se deu a primeira medida mais drástica de tentativa de organização dos transportes coletivos por ônibus em São Paulo. O então prefeito Abrahão Ribeiro assina o Decreto Lei 365, datado de 10 de outubro daquele ano, e constitui uma empresa de transportes coletivos dirigida pelo poder público. Surge então a CMTC, Companhia Municipal de Transportes Coletivos. No ano seguinte, em 1947, determina que o patrimônio da Light, bondes, auto ônibus, rede elétrica aérea, trilhos e equipamentos passe para a CMTC, agora também responsável pela operação dos bondes.

Quanto aos ônibus, a medida foi radical. Todas as linhas de ônibus de bairros próximos ao centro e da região central da Capital Paulista passariam a ser exploradas pela CMTC. Os empresários só tinham autorização de operar fora do perímetro urbano, de acordo com o decreto, em linhas bairro a bairro. Assim, pensava-se em terminar a briga entre bonde e ônibus, permitindo que um modal complementasse o outro e não disputasse como vinha ocorrendo. Várias empresas de ônibus foram encampadas. Diversos donos de ônibus faliram, mudaram de ramo ou então de atuação nos transportes coletivos. Exemplo claro disso, é a Auto Viação Jabaquara, citada por nós como exemplo de empresa que se consolidou entre os anos 20 e 30. Fundada em 1932, pelas famílias, Mascioli, Brandi e Havelange, a empresa, nesta época, perdeu a concessão do trajeto entre o bairro do Jabaquara e o centro da cidade.

Os controladores da empresa não desistiram de transportar pessoas. Só mudaram do serviço urbano para o rodoviário. Ainda em 1947, compraram uma empresa que já existia desde 1943, a Empresa Auto Viação São Paulo – Santos Ltda. Como havia um cometa na pintura da empresa, em 7 de maio de 1948, Tito Mascioli, os Brandi e os Havelange mudam o nome da empresa para Viação Cometa, que anos mais tarde incorporou diversas outras empresas e começou a fazer ligações não só mais para Santos, mas para o interior do Estado de São Paulo e outros estados do Sudeste. A mudança do sistema de transportes nos anos 40 , não só foi um baque para donos de ônibus, que muitas vezes queriam prestar serviços com empresas diferentes em trajetos praticamente idênticos.

O poder público municipal fez o que chamou de atualização nos valores tarifários. As passagens de ônibus e bondes subiram cem por cento. A alta das tarifas, bem maior do que os aumentos salariais revoltaram a população. O dia primeiro de agosto de 1947, foi marcado por um quebra-quebra de grandes proporções que destruiu dezenas de ônibus e bondes e deixou várias pessoas feridas no confronto com a polícia. Há duas versões para o quebra-quebra. Alguns historiadores dizem que ele ocorreu por vontade popular, pela simples revolta em relação aos aumentos. Outros se arriscam a dizer que o evento ocorreu com o incentivo indireto de empresários que haviam perdido as linhas com o monopólio municipal sobre os serviços no centro da cidade e bairros mais próximos da região central. Quem defende essa tese, se baseia no fato de que a maior parte dos veículos danificados no quebra-quebra correspondia a frota da CMTC.

A reorganização do sistema de transportes em São Paulo, com a criação de uma das maiores empresas de ônibus municipais da América Latina, deu CMTC poder econômico e tecnológico. Tanto é que, a partir de 1949, foi a CMTC que inaugurou o primeiro sistema de trolebus brasileiro. Uma tecnologia jamais vista no Brasil e que abriu as portas para ouitras cidades interessadas no sistema de transporte com tecnologia limpa e com maior rapidez de operação. A CMTC adquiria até os anos 50 tanto poder, que ela, além de ser uma das maiores compradores nacionais de ônibus, importava veículos e produzia, além de ônibus convencionais, trolebus.

Uma das inovações compradas pela CMTC eram os ônibus GM Coach, totalmente diferentes do que até então eram os ônibus urbanos, em sua maioria carrocerias para passageiros montadas sobre chassis de caminhão. Os veículos tinham direção hidráulica, sistema de suspensão a ar, isolamento térmico e acústico, motor traseiro, freios a ar comprimido e poderiam levar com mais conforto, 70 passageiros, sendo que 40 sentados. Eles começaram a operar no segundo semestre de 1947. Eram inicialmente 10 veículos que chamavam a atenção pelo design norte-americano e pelo conforto, que serviam a linha Centro – Jardim América.

Muitas linhas, para designar o centro tinham no itinerário do ônibus a expressão Cidade, como se os bairros não pertencessem a cidade de São Paulo. Mas era costume na época, os moradores dos bairros dizerem que iriam para a “Cidade” se referindo ao centro e o ônibus se adaptou a isso na época. Era uma forma de, no itinerário, facilitar a vida do passageiro, falando a sua língua. Para se ter uma idéia do poder que a CMTC ganhava nos anos 50, dados da Prefeitura de São Paulo mostram que em 1954, a Companhia Municipal operava 90 por cento dos transportes coletivos da cidade de São Paulo entre bondes, trolebus e ônibus, que eram a imensa maioria.


INAUGURAÇÃO DE LINHAS

Nos anos 50, a CMTC, totalmente estruturada e forte chama a atenção pelo volume de compra de ônibus, para atender a demanda crescente de passageiros. Vale lembrar que foi nos anos 50 o grande início do crescimento industrial brasileiro. A cidade de São Paulo e os municípios vizinhos, já pela estrutura de vias e transportes, que facilitavam o escoamento da produção e os deslocamentos dos trabalhadores, atraíam mais investimentos industriais, E mais pessoas de todo o País vinham para São Paulo. Nesta época, se deu o surgimento de outros novos bairros, muitos de periferia, pois havia uma mão de obra com pouca qualificação, com menor renda, mas que também era atraída pela indústria e pela construção civil. Essa massa de trabalhadores ocupa regiões mais afastadas do centro de São Paulo. É uma nova onda de crescimento acelerado de São Paulo vivenciava, só que numa intensidade bem maior que nos anos 20/30, com já vimos. Novamente os trilhos dos trens e dos bondes não conseguiram acompanhar este ritmo e foi a flexibilidade dos ônibus que mais uma vez tentou suprir esta demanda, às vezes de maneira satisfatória, outras vezes nem tanto. Mas com mais passageiros, duas coisas eram necessárias: mais ônibus e mais linhas.

Os lotes de compra da CMTC eram de deixar qualquer fabricante satisfeitos, Para se ter uma idéia, de uma só vez, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos comprou em 1950 dos Estados Unidos, 200 ônibus Twin Coach. As linhas tinham de ser mais planejadas. Não bastava ligar um bairro a outro. Era necessário estudar a cidade. As demandas de passageiros, o trânsito e as áreas de concentração residencial e industrial e traçar a cidade. No dia 27 de janeiro de 1959 é criada a primeira linha Diametral de São Paulo, ligando Belém a Pinheiros. A experiência de traçar itinerários diametrais deu certo. O trajeto correspondia à demanda exigia e com uma só linha se substituiria outras pequenas ligações que, em alguns pontos e horários eram ociosas já em outros, insuficientes. No dia 20 de fevereiro de 1959, foram criadas outras linhas deste tipo, como a do Paraíso para Casa Verde. Antes porém outras linhas importantes, sem o conceito diametral foram inauguradas em São Paulo pela CMTC. Uma das mais importantes foi a Penha / Lapa, que começou as operações em 1953. No ano de 1978 deixou de operar, mas por exigência dos passageiros retorna em 1979 e em 1983, segundo levantamento da CMTC, se tornou a linha mais movimentada da cidade. No dia 4 de setembro de 1957 nascia outra linha de grande importância, a Pedreira – Anhangabaú.

OS EMPRESÁRIOS QUEREM VOLTAR AO SISTEMA
Se por um lado representava custos para o poder público, a nova formulação dos transportes coletivos despertou interesse dos empresários de ônibus, que a partir dos anos 60, motivados pelas facilidades geradas pelo crescimento da indústria automobilística, começaram a se organizar para voltarem ao sistema de linhas centrais, operados em sua maioria pela CMTC após sua criação em 1946. As empresas começaram a pressionar o poder público para criarem novas linhas ou encamparem os rentáveis trajetos da CMTC. Elas se associaram em sindicatos, os empresários usavam o poder econômico e no meio dos anos 60, houve uma inversão de papéis. Se na década de 50, a CMTC foi responsável por 90 por cento dos transportes públicos, nos anos de 1960, ela só correspondia a 20 por cento, segundo análises das relações de linhas e empresas da época. Os outros 80 por cento já estavam nas mãos de empresários particulares. A cidade foi loteada no quesito transporte. Diferentemente dos anos 20 e 30, em que os donos de ônibus de ônibus disputavam mesmos trajetos, nos anos 60, eles se dividiram em áreas. As melhores ficavam com os maiores. Assim, surgiam empresas poderosas principalmente nas zonas Sul, Leste e Norte da Capital Paulista.

Com o crescimento das empresas de ônibus e problemas financeiros da CMTC, os bondes começavam a ficar em segundo plano. Até que o sistema de bondes foi desativado em 1968. No dia 28 de março, terminava a linha 101, que ia do centro da cidade para Santo Amaro. Nos anos 70, as empresas particulares de ônibus ganhavam mais participação ainda. A CMTC, que nos anos 50 tinha 90 por cento dos transportes, nos anos 60 caiu para 20 por cento, só tinha em 1975, 14 por cento das linhas de ônibus. Nesta década, também já estava criada a Secretaria Municipal de Transportes, que foi implementada em 1968, o que revela a importância que o setor ganhava na cidade e na administração pública. São Paulo já não mais gerenciava linhas de jardineiras. O sistema era complexo e foi necessária a formação de uma pasta e de uma equipe para acompanhar a fase da evolução dos transportes em São Paulo, registrada nos anos 70. Neste época também, a CMTC, mesmo sendo empresa pública renovou o contrato com a Prefeitura de São Paulo e os empresários ganham mais um trunfo. A cidade foi dividida em 23 áreas de operação e a CMTC poderia contratar os serviços das empresas de ônibus. Era o que o empresariado do setor de transportes queria. As linhas eram planejadas pela CMTC, seus custos de implementação eram bancados pela empresa de transportes públicos, e os empresários apenas colocavam suas frotas e trabalhadores para explorarem as linhas, recebendo por isso.

A CMTC continuava sendo operadora, mas assumia um papel importante de gerenciadora do sistema de transportes públicos nos anos 70. O trânsito e os transportes assumiam mais destaque na cidade de São Paulo, com seus problemas, como congestionamentos e gerenciamento de linhas de ônibus, e soluções, como abertura ou ampliação de vias importantes e com os ônibus atendendo uma população cada vez maior. Além da criação da Secretaria Municipal de Transportes, em 1968, é a vez de se pensar num órgão para gerenciar e controlar os problemas do trânsito,, já intenso em São Paulo. Em 1976 foi fundada a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego. O poder público, pela experiência da desordem da expansão das linhas de ônibus entre 1930 e 1940, viu que, mesmo com o caráter capitalista do sistema de ônibus, com empresas privadas vendendo comercialmente um serviço público de deslocamento, o governo municipal tinha de ter órgãos para controlar um sistema, que não pode ser regido apenas pelo mercado.

No final dos anos 70, a CMTC assumia boa parte das inovações tecnológicas dos transportes por ônibus em São Paulo. Testou os ônibus Padron, com padronização de dimensões estipulada por órgãos técnicos federais e começou a implantar o Sistran, que foi um programa, elaborado pelo prefeito Olavo Setúbal, que comandou o executivo municipal entre os anos de 1975 a 1979. O objetivo era modernizar o sistema de trolebus na cidade de São Paulo, que depois de algumas crises financeiras da CMTC e desinteresse de alguns governantes,apresentava sinais de deteriorização. O Plano era muito bom. Previa renovação de rede aérea, ampliação da malha de trolebus, criação de faixas exclusivas para os trolebus e renovação e reforma da frota, com a aplicação de novos conceitos nos trolebus, como equipamentos modernos que deixavam as viagens de trolebus mais acessíveis pata portadores de necessidades especiais e mais confortáveis, com suspensões mais modernas e sistemas de direção que traziam mais comodidade para motoristas e usuários.

Olavo Setúbal era um entusiasta dos trolebus, ainda mais frente aos altos custos do petróleo a partir dos anos 70. Sua intenção era de, num primeiro momento, aumentar a rede de trolebus em São Paulo de 115 quilômetros para 280 quilômetros, colocando no sistema 1280 ônibus elétricos. Mas o Plano acabou fracassando por descontinuidade administrativa. Apenas foram feitos pequenos reparos no sistema já implantado e alguns veículos novos foram colocados em operação. O Sistran, que poderia ser uma ótima alavancada para que São Paulo tivesse uma rede de ônibus de tecnologia limpa, como ocorre na Europa e América do Norte, acabou sendo abandonado.

Os anos 80 foram marcados na história dos transportes da cidade de São Paulo por altos e baixos. A época era de inflação. As tarifas subiam mais que os salários, mas não o suficiente para cobrir os custos do sistema. Muitas empresas faliram e outras, com a queda da qualidade de serviço, sem, por exemplo, poderem renovar suas frotas, foram alvos de intervenções do poder público. Por conta disso, nesta época, a participação da CMTC nas operações aumentava. Mas isso custaria muito à Companhia Municipal, que por vezes, assumia empresas e linhas deficitárias e mal administradas, acumulando prejuízos. Mas os anos 80 também foram marcados por inovações tecnológicas, como os testes de ônibus a Gás Natural, a colocação de veículos monoblocos mais modernos e confortáveis e a criação de corredores e faixas exclusivas com maior área de atendimento.

A CMTC, com base nos problemas entre a relação já conturbada entre carros e ônibus, que dividiam o mesmo espaço, elabora o PAI – Programa de Ação Imediata da Rede Metropolitana de Trolebus. Era uma tentativa de racionalizar e otimizar o sistema e reativar alguns dos pontos dos Sistran, que não foram colocados em prática pela descontinuidade administrativa. Entre os principais pontos do PAI, para aumentar a velocidade média dos ônibus, que vivam já prejudicados pelos congestionamentos, estava a construção de corredores exclusivos e faixas prioritárias. Os primeiros corredores exclusivos para serem construídos, com uma nova concepção de atendimento ao usuário, inclusive pensando na acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, fazendo plataformas na altura dos degraus dos ônibus, foram as ligações : Santo Amaro - 9 de Julho, Santo Amaro - Brigadeiro Luis Antonio, Santo Amaro, - Ibirapuera , Rio Branco - Deputado Emílio Carlos Também estavam incluídos no projeto PAI, terminais de interligação de linhas ao longo destes corredores.

Entre 1983 e 1984, os estudos se concentraram para a construção dos corredores Santo Amaro – 9 de julho e Rio Branco e Deputado Emílio Carlos. O principal objetivo dos trabalhos era criar condições viárias para a concretização dos corredores. Ver o melhor tipo de asfalto ou concreto empregados e o traçado dos corredores, bem como os pontos e a forma de acesso aos veículos foram as principais ações estudadas. No ano de 1985, foram iniciadas os obras do corredor Santo Amaro – Nove de Julho. O corredor Paes de barros também estava sendo elaborado. Mesmo ano que surgiu outro plano audacioso para melhorar o Sistema de Transportes Coletivos. O PMTC – Plano Municipal de Transportes Coletivos, que além de deixar o sistema melhor e mais racional, tinha como objetivo ver os transportes da cidade de São Paulo como um todo, com o ônibus complementando os trens e o metrô. O PMTC reuniu pontos levantados e estudados pelo Sistran (o Plano de Olavo Setúbal que tentou revitalizar os trólebus em São Paulo) e o PAI, o plano que visava dar mais mobilidade e agilidade aos ônibus, por intermédio, principalmente da construção de corredores.

O Brasil já tinha experiência positiva desde 1974 sobre corredores de ônibus, com o exemplo do Sistema de Tráfego Segregado para Coletivos em Curitiba, que ainda hoje, é base para implantações se sistemas no mundo todo. É bem verdade que os corredores de ônibus de São Paulo estão bem aquém do sistema de Curitiba, que conta com pontos de ultrapassagens para evitar congestionamentos de ônibus, estações de transferência, pontos de embarque que deixam o piso do salão dos ônibus nível da calçada e cobrança antes da entrada nos veículos, aumentando a velocidade e conforto de embarques e desembarques, além de estações cobertas e que realmente protegem o usuário da chuva e do sol, as chamadas estações tubo. O PMTC apresentou a meta de construção de 28 corredores e 23 terminais de transferência. Uma política tarifária e reorganização da distribuição das linha também fizeram partes do PMTC, que levava em conta pontos dos Plano Diretor do Município de São Paulo e Plano Metropolitano de Transporte – PMT. Infelizmente, a exemplo do Sistran, do PAI, o PMTC não teve todas as suas metas cumpridas.

Nesta época, também uma necessidade para a viabilização dos transportes em São Paulo veio à tona. A cidade e a região Metropolitana tinham crescido de tal maneira,m tanto em população como em área urbana, que só o ônibus. O trolebus, os ônibus e os trens isoladamente não dariam mais conta das necessidades dos passageiros. O termo “integração de modais” acaba tomando a ordem das discussões sobre as melhorias dos transportes na cidade. E as experiências começaram nesta década. Em 1980, foi implantado o sistema de transferência ônibus – trolebus com a construção dos terminais de Vila Prudente e Penha. Em 1983, iniciou-se a integração ônibus-trem. A primeira linha a integrar-se com o trem foi a Pinheiros – Largo São Francisco, da CMTC, com as composições da Fepasa – Ferrovias Paulistas S.A. Ainda sobre as tecnologias de combustível limpo, vale destacar a operação experimental de ônibus a gás metano, ap partir de 1984, na linha da CMTC, Ceasa-Lapa.

Apesar de todas as inovações e projetos contemplados nos anos 80, ainda na década de 1990, os transportes estavam muito longe do ideal. Linhas deficitárias, problemas de relação entre empresas e poder público, poucos corredores, lotação, empresas com frota s de ônibus velhos, que deram margem ao transporte coletivo, exigiam intervenções drásticas. E foi o que aconteceu, numa tentativa de melhorar o sistema que crescia fora do controle novamente, com a “municipalização” dos transportes coletivos em São Paulo, através da Lei 11.037. A partir de 25 de julho de 1991, as empresas começaram a receber por custo operacional e não mais pelo dinheiro obtido nas catracas. A medida, entre outros objetivos, era para equilibrar a oferta de serviços e distribuí-la de maneira mais igualitária entre a cidade. Isto porque, enquanto havia linhas de alta lucratividade, que recebiam investimentos da empresa, outras regiões eram prejudicadas por terem linhas mais deficitárias, não só em relação a demanda de passageiros menor, mas às dificuldades operacionais que gerariam custos. Era época da gestão Luiza Erundina, então prefeita pelo PT. As empresas de ônibus eram contratadas pela prefeitura e não mais donas das linhas. Elas tinham de prestar serviços em toda a cidade de São Paulo, inclusive nas menos lucrativas ou com operações mais caras. Todo o dinheiro da catraca era repassado para a Prefeitura, que, calculava a tarifa e remunerava as empresas de acordo com seus custos.

Nas regiões mais afastadas do centro e dos bairros mais populoso, ou em áreas cujo acesso era mais difícil e a distância maior, a qualidade do serviço melhorou. O problema do sistema é que o custo operacional era maior do que a Prefeitura arrecadava nas catracas. Além disso, em linhas de boa demanda, os empresários alegavam a necessidade de colocar mais ônibus. Alguns coletivos, principalmente no período entre os horários de pico, rodavam com poucos passageiros. Algumas viagens eram desnecessárias, mas aumentavam a conta do custo operacional e foi uma oportunidade para os donos das empresas de ônibus ganharem um pouco mais com a municipalização.

Na mesma época, foram municipalizadas as formas de remuneração das empresas nas cidades de Santo André, com a criação da EPT – Empresa Pública de Transportes, em São Bernardo do Campo, com a ETCSBC- Empresa de Transportes Coletivos de São Bernardo do Campo, e Diadema, com a ETCD – Empresa de Transportes Coletivos de Diadema, que a exemplo da CMTC, além de serem gestoras, eram no período operadoras de várias linhas, inclusive de empresas que sofreram intervenções municipais, como o caso da Viação Alpina, em Santo André.

A CMTC ao longo de sua história, havia assumido vários riscos e sido pioneira em diversas iniciativas na cidade de São Paulo. Desde ter herdado o sistema de bondes abandonado pela Light & Power, nos anos 40, passando por readequar o serviço de ônibus na mesma década, que crescia de forma desordenada, sendo responsável pelo monopólio das linhas municipais de São Paulo, a investir em novas tecnologias, contando com importação de ônibus muito mais modernos que os nacionais, a implementação dos trolebus, os testes para o uso de combustíveis limpos, e até mesmo assumindo todas as linhas novamente nos anos 90 e remunerando as empresas, sempre os custos dos transportes por ônibus na cidade eram pagos pela CMTC. Além disso, erros administrativos e abusos da máquina pública também foram registrados na Companhia Municipal. Há historiadores e antigos funcionários da empresa que dizem que, se algum político precisasse empregar alguém que o ajudou na campanha, a CMTC era a primeira a ser procurada. Todo esse conjunto fez com que as finanças da empresa estivessem deterioradas, assim como parte de seus serviços e frotas, apesar do esforço de vários funcionários de diferentes setores que queriam manter o padrão da CMTC de seu auge, entre os anos 50 e 80.

Vendo que seria esforço demais e arriscado tentar recuperar a empresa pública, medida que além de sanear as finanças, tinha de contemplar uma renovação de frota, sistema e quadro operacional, em 1993, a Prefeitura de São Paulo, na gestão de Paulo Maluf, decide privatizar a Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Enxugar a máquina pública da CMTC e renovar sua frota e quadro de funcionários, argumentou o prefeito na época, exigiria alto investimento e não se tinha certeza que tal investimento traria redução de custos. Acabava a CMTC como operadora dos transportes de São Paulo. Empresas particulares e consórcios começavam a operar no lugar dos 2 700 ônibus que a CMTC tinha em 1993. Muitos ônibus eram da própria CMTC e foram assumidos pelas empresas e outros eram novos, deixando parte da frota da CMTC em garagens e pátios, alguns, inclusive, podem ser vistos ainda hoje apodrecendo, quando poderiam ser leiloados para empresários de outras cidades na época enquanto ainda tinham condições de prestar serviços.

Para se ter uma idéia do que foi tornada a máquina pública da CMTC, no tocante a cabide de empregos, quando a Companhia foi privatizada, ela tinha 27 mil funcionários. Com a entrada dos empresários, o sistema de gerenciamento caiu para mil e duzentos empregados. Isso não significou, no entanto, que empresa pública de transportes é algo que não dá certo. A Carris de Porto Alegre, empresa municipal mais antiga em operação desde o século XIX, ainda presta serviços sem problemas. Se não fosse a CMTC, mesmo com os problemas ainda existentes no setor de transportes, a cidade estaria bem aquém do atual patamar. Isso porque, como empresa pública, a CMTC fez investimentos no sistema que as empresas particulares não queriam, não teriam condições e nem teriam obrigação de fazer. Estudiosos dos transportes públicos em São Paulo são unânimes em dizer que, apesar de terem custado muito à Companhia Municipal, não foram os investimentos e pioneirismos que sucatearam a CMTC, mas a forma pela qual ela foi administrada e abusada por diversas figuras públicas ao longo de sua história.

No ano de 1994, 47 empresas de ônibus operavam na cidade de São Paulo, após a CMTC deixar de circular com os próprios ônibus. Em 8 de março de 1995, a CMTC, já apenas gerenciadora é transformada em São Paulo Transportes, SPTrans, com novo enxugamento do quadro de pessoal. Os anos 90, no entanto, não foram marcados apenas pela extinção da CMTC, houve também alguns avanços. Um dos exemplos foi em fevereiro de 1991, quando entrou em operação o Corredor Vila Nova Cachoeirinha, colocando em práticas estudos mais antigos da Secretaria dos Transportes e da CMTC, como a viabilização de corredores em canteiros centrais e embarques e desembarques pelos dois lados do ônibus, que passava a contar com portas na esquerda. Isso dava agilidade na entrada e saída do ônibus e maior flexibilidade ao corredor, que ficava segregado do tráfego e poderia mudar de traçado de acordo com a estrutura viária, sem a necessidade de grandes desapropriações. Se o lado direito da via apresentasse dificuldades para a instalação do corredor, tudo bem, os ônibus operaram com o lado esquerdo. Em junho de 1991, é iniciada a operação com ônibus a Gás Natural e, no mesmo mês, para conter a evasão de receitas, os embarques começam a ser feitos pela porta dianteira do ônibus e desembarque pela traseira.

A primeira linha a contar com a novidade foi a 805 A – Circular Avenidas. No dia 11 de setembro de 1991, é inaugurada a primeira linha de micro-ônibus de São Paulo. O serviço era diferenciado, os passageiros não poderiam viajar em pé, a tarifa era mais alta, 15 cruzeiros na época, e os micros que faziam o itinerário circular, pela região central de São Paulo, eram movidos a álcool. Em 1998, dá-se o início a cobrança automática de tarifas, com validadores eletrônicos dentro dos ônibus. No mesmo ano, também é iniciado o Projeto VLP _ Veículos Leves Sobre Pneus_ , o Fura Fila, que se tornou promessa de campanha é até hoje não teve todo seu traçado concluído.

A facilidade do pagamento de passagens e a necessidade de integração foram uma das tônicas dos anos 2000. Os estudos do Bilhete Único, que permite até 4 viagens de ônibus pelo preço de uma passagem num período de 3 horas, tendo integração com preço um pouco maior com outros modais como o Metrô e Trens da CPTM, começaram em 2001, com os testes do Bilhete Único do Idoso. A implementação do Bilhete Único se deu em 2004. A ampliação e construção de novos corredores de ônibus também marcaram os anos 2000. Ainda em 2004, houve a construção de quatro corredores de ônibus com faixas exclusivas à esquerda: Jardim Ângela - Guarapiranga - Santo Amaro; Capelinha - Ibirapuera - Santa Cruz; Parelheiros - Rio Bonito - Santo Amaro; e Campo Limpo - Rebouças - Centro e de cinco novos terminais (Grajaú, Guarapiranga, Jardim Britânia, Parelheiros e Varginha.

AS TENDÊNCIAS
Se fossemos citar todos os fatos que marcaram a história dos transportes coletivos na cidade de São Paulo, uma série de reportagens não seria suficiente. Além disso, muitos fatos importantes aconteceram e não foram registrados. E fatos importantes não são apenas os de grande magnitude, mas às vezes pequenas alterações de itinerários, uma postura educada e cordial de motoristas e cobradores, um cuidado especial em relação a limpeza dos veículos para que os passageiros se sintam num ambiente melhor. Coisas simples, mas que deixam menos pesada a rotina de quem utiliza os transportes na cidade de São Paulo. Aliás, por causa dos trajetos e trânsito complicado, que deixa o ônibus preso nos congestionamentos entre os carros particulares, muita gente passa o mesmo tempo dentro da condução que no trabalho. Apesar de ter melhorado em vários aspectos, numa análise fria e imparcial, o sistema de transportes por ônibus em São Paulo ainda deixa muito a desejar. De acordo com a mais recente pesquisa Origem e destino feita pelo Metrô de São Paulo, os principais problemas apontados pelos passageiros de ônibus são lotação, tempo das viagens, espera nos pontos, falta de mais pontos de integração e preço nas tarifas.

E um problema puxa o outro. Por isso, os problemas não são únicos e as soluções também não são únicas. Um ônibus preso num congestionamento demora para passar, mas gente se acumula nos pontos, a viagem é mais lenta e quando o ônibus vem lota rápido. A sensação de a tarifa ser cara (e realmente é elevada) aumenta pela deficiência do serviço. Se o serviço fosse melhor, muitos passageiros pelo menos se conformariam com o valor das tarifas. E o exemplo vem de outros países, que investem na prioridade aos transportes públicos e isso deve ser a tendência que São Paulo deve seguir se quiser que daqui a 20 ou 40 anos, sua história do setor seja lembrada como evolução e não como um apanhado de problemas e retrocessos.

O Sistema BRT – Bus Rapid Transit – é aplicado em diversos países da Europa, América do Norte, Ásia e América do Sul. A necessidade de se investir em verdadeiros corredores segregados de ônibus, no Brasil temos o exemplo de Curitiba e do ABC Paulista pela Metra e EMTU, já foi vista há muito tempo por outros países, como a Colômbia, que em Bogotá, melhorou sensivelmente a qualidade de vida dos cidadãos com o Transmilênio, inspirado no modelo de Curitiba. Um BRT de verdade não é um simples canteiro por onde passam ônibus ou um uma faixa pintada na rua, que perto dos pontos, nos horários de pico, cria congestionamentos de ônibus. Ele possui uma diferenciação física na via, estações de embarque, preferencialmente na altura do piso dos ônibus, pagamento anterior à entrada no veículo e pontos de ultrapassagens para evitar filas imensas de ônibus, como ocorre, por exemplo na Avenida Rebouças e Rua da Consolação.

A criação de um BRT, de um corredor segregado de ônibus, chega a ser 10 vezes mais barata que a construção de uma linha de Metrô, além de a implementação ser mais rápida e alterar menos o cenário urbano. Necessita de menos desapropriações e as obras são mais simples. Outra tendência que se aplica no mundo é a integração de modais, existente em São Paulo, mas ainda muito tímida. Ônibus deve complementar trem e metrô e vice e versa. Alguns países vão muito mais além. Como é o caso do BusWay, na França. Lá, o corredor, com ônibus extremamente modernos, liga a região central de Nantes à zona Sul da área metropolitana, na localidade de Verton. O corredor consegue integrar ônibus e carro. Os passageiros vão com seus carros fora da tumultuada região central, deixam em estacionamentos próprios para os usuários e na região central, onde há trânsito, eles pegam o BusWay e continuam a viagem de ônibus. Quatro estações do sistema possuem o esquema "Park-and-ride", onde o usuário pode deixar o seu automóvel e seguir a sua viagem de ônibus.

Isso poderia ser uma opção para São Paulo, se houvesse um sistema de ônibus queatrísse à classe média. O usuário poderia sair de um determinado bairro mais distante de carro, deixá-lo em local seguro com preço acessível e seguir o trajeto de maneira mais rápida para área central ou bairros de negócios. Em Nantes, o Park and ride auxiliou bastante na diminuição dos congestionamentos principalmente em horários de pico.

As prefeituras que investiram no BRT priorizaram os recursos para os transportes públicos atraírem às diversas camadas sociais da população. O Transmilênio da Colômbia, por exemplo, é usado tanto pelo executivo da empresa, como pelo operário. Facilidades de pagamento de passagens, eliminado o dinheiro no uso dentro dos ônibus também são tendências. Em São Paulo, há o Bilhete Único, um grande avanço. Mas ainda o passageiro tem de enfrentar filas nos postos de recarga ou em estabelecimentos comerciais. Em vários países, por exemplo, os cartões são recarregados pela Internet, por débito bancário e até mesmo com o uso do celular.

O uso de veículos com tecnologia limpa também é outra tendência para tornar as cidades mais agradáveis de se viver, com ar menos poluído e ônibus que emitam menos barulho. Na Europa o uso do Diesel limpo, o Biodiesel, já está numa fase bem mais avançada, do etanol, com os ônibus movidos a álcool produzido no Brasil, coletivos com células de hidrogênio e, claro os velhos trolebus, de rede aérea, que São Paulo começou a operar em 1949, são realidades vistas facilmente nas ruas. Só que estes trolebus são mais modernos e rodam em vias segregadas.

Enfim, o ônibus pode ser alvo de críticas por muitos especialistas. O Metrô e o Trem podem se apresentar como melhor forma de transportes de massa, mas a verdade é que São Paulo vai de ônibus. E foi este tipo de transporte o único capaz de acompanhar o rápido desenvolvimento de São Paulo e contribuir para ele. Sendo assim, São Paulo deve muito aos ônibus e os ônibus a São Paulo. E a cidade merece o melhor em relação aos transportes. E exemplos que mostram que o ônibus tem futuro, mas numa concepção moderna, que prioriza o coletivo, não faltam pelo mundo. Parabéns, São Paulo.

Adamo Bazani, busólogo, repórter da CBN, natural de Santo André, mas que tem São Paulo no coração, assim como todo o brasileiro deveria ter.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Breda Sorocaba volta a circular com força de liminar

Os ônibus da viação Breda, de Sorocaba, que teve a concessão cassada pela Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) por falta de condições para rodar, voltaram a circular hoje com uma liminar da Justiça.

A medida suspendeu a cassação até a análise do mérito da ação em que a empresa contesta as ações da Artesp. A empresa atende cerca de 3,6 mil passageiros por dia em linhas intermunicipais das regiões de Sorocaba, Grande São Paulo e litoral sul.

O dia foi tumultuado para os passageiros. Mesmo com a liminar, a empresa não escapou da fiscalização da Artesp, que detectou atrasos nos horários. Os ônibus foram parados e vistoriados pelos fiscais.

O posto de abastecimento de combustível da empresa foi lacrado por outro órgão do governo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) por não estar com as licenças em dia. A empresa alega perseguição.

A Artesp já escolheu quatro empresas para assumir as linhas atendidas pela Breda.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nomeados membros da CPI dos ônibus em Sorocaba/SP

Na sessão desta quinta-feira, 26, o presidente da Câmara, José Francisco Martinez (PSDB), nomeou os membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Ônibus criada para investigar possíveis irregularidades no transporte público coletivo de Sorocaba.

O parecer da Comissão de Justiça da Casa foi favorável ao requerimento já aprovado pelo plenário. Segundo o documento, o pedido está dentro dos requisitos legais, como a determinação de prazo para os trabalhos - no caso, 90 dias; número de assinaturas - onze -, e descrição dos fatos motivadores da instalação da CPI. Segundo o Regimento Interno da Câmara, após o pedido formal, a nomeação dos membros é imediata.

Martinez anunciou os membros: Anselmo Neto (PP), Izídio de Brito (PT), José Crespo (DEM), Marinho Marte (PPS), Antonio Carlos Silvano (PMDB), Carlos Cezar da Silva (PSC), Francisco França (PT) e Irineu de Toledo (PRB), vereadores que assinaram o requerimento, e completando o quadro, em respeito à representatividade partidária, Francisco Moko Yabiku (PSDB), Luis Santos (PMN) e Geraldo Reis (PV).

Fonte: Bom Dia Sorocaba

Marcopolo recebe prêmio de melhor encarroçadora do Brasil

A Marcopolo foi eleita a melhor fabricante de carrocerias de ônibus do Brasil, em cerimônia realizada no último dia 24, em São Paulo. A empresa recebeu o Prêmio AutoData - Os Melhores do Setor Automotivo 2009, na categoria Fabricante de Carroceria de Ônibus. Os destaques da conquista foram a ampliação das atividades no exterior e o contínuo crescimento no mercado brasileiro.

O troféu foi recebido por Paulo Bellini, presidente do Conselho de Administração da Marcopolo, acompanhado pelo diretor Valter Gomes Pinto. “Para nós, da Marcopolo, o prêmio representa o reconhecimento de todos ligados ao setor automotivo pelos esforços para continuarmos crescendo no Brasil e no exterior e, também, estarmos cada vez mais próximos dos nossos clientes”, comentou Paulo Bellini.

Em dez edições realizadas do Prêmio AutoData, a Marcopolo foi a vencedora em nove ocasiões – 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2007, 2008 e 2009. Além disso, foi eleita três vezes a Empresa do Ano e recebeu o Tributo AutoData – 2000, 2002 e 2004.

Fonte: Transporte Mundial

5 ônibus tirados da garagem da TCS retornam e causam confusão em Sorocaba/SP

O Sindicato dos Condutores de Sorocaba e Região encontraram os cinco ônibus que foram retirados da garagem da Transportes Coletivo Sorocaba (TCS) na noite da segunda-feira e os levaram de volta na tarde e início da noite de ontem. O retorno foi conturbado e virou caso de polícia, pois a empresa não aceitava a condição do Sindicato tê-los trazido de volta. Um deles estava na garagem da empresa Terra Branca, em São Miguel Arcanjo e os outros quatro, dois articulados, em Piedade, numa garagem sem identificação na região central da cidade. Haviam sido levados de Sorocaba na noite da segunda-feira por determinação da própria TCS. Outros seriam levados, mas foram impedidos pelo sindicato que quer garantir os carros como garantia de pagamento dos trabalhadores.

O advogado Daniel Toledo Bressanin, que na porta da garagem representava a TCS, recusava a entrada dos veículos. Argumentava que apesar do penhor, o depositário fiel da frota é o proprietário da TCS, René Gomes de Souza, e cabe a ele a decisão de onde deixar os carros. Segundo o advogado, sob a alegação equivocada de que os ônibus pertencem aos trabalhadores, o sindicato foi até as garagens em outras cidades e os trouxeram sem qualquer autorização. Questionava como poderia receber sem saber o que havia ocorrido no trajeto.

O primeiro ônibus chegou por volta das 15h30 e só entrou porque o portão encontrava-se aberto. Outros quatro chegaram por volta das 18h30 e para entrar precisou da intervenção da Urbes. Quando o primeiro ônibus chegou, no meio da tarde, o advogado Bressanin saiu do interior da empresa e deu voz de prisão a um dos sindicalistas na rua. Ao tomarem ciência de que se tratava de um advogado os sindicalistas começaram a empurrá-lo.

Bressanin acionou a polícia e solicitou que levassem os sindicalistas para a delegacia, pedido que não foi atendido. No final da tarde, com a proibição da entrada dos veículos, o trânsito ficou impedido por alguns minutos. O motorista de um automóvel que estava com esposa e criança desceu reclamando e acionou a polícia. Também tomou alguns empurrões e convenceu-se que seria melhor utilizar uma rua de terra para deixar o local.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Artesp cassa 30 linhas da Breda Sorocaba, apreende veículos mas não coloca empresas substitutas de imediato

Cerca de 4 mil de pessoas que precisam viajar entre os municípios da região de Sorocaba, a 99 km de São Paulo, estão sem ônibus porque 30 linhas de uma empresa foram cassadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e ainda não foram substituídas.

A empresa Breda teve a concessão cassada há quase um mês porque os veículos estavam em más condições de conservação e apresentavam riscos aos passageiros. Apenas as linhas entre os bairros permaneceram funcionando. Aquelas que vão de um município para outro foram impedidos de circular.

Nos guichês, os funcionários não sabiam explicar aos passageiros porque não havia ônibus. Houve apreensões de carros no meio do trajeto. “Na hora que eu cheguei no km 74 da Castello, eles pararam o ônibus, prenderam o ônibus e fizeram os passageiros descerem. Mas não tinha outro ônibus para substituir”, contou o motorista José Vanderlei da Silva.

A Breda informou que vai recorrer da decisão. “O nosso corpo jurídico está trabalhando também em São Paulo recorrendo dessa decisão da Artesp”, disse Ronaldo Rosa, gerente operacional da empresa.

Segundo a agência reguladora, as empresas autorizadas a assumir as linhas ainda não começaram a operar porque estão discutindo com o sindicato a viabilidade de se contratar os funcionários da Breda.

Fonte: G1/Bom Dia São Paulo

Rio de Janeiro poderá trocar vans por microônibus

A Procuradoria-Geral do Município analisa as alterações de dois dos editais do processo de licitação para substituir as vans por micro-ônibus no Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a revisão está sendo feita em regime de urgência. Isso porque apenas uma cooperativa se interessou em explorar uma das cinco linhas oferecidas no lote para Guaratiba e a região sul de Campo Grande. E mesmo assim foi desqualificada.

A previsão é que os editais desse lote e do de Santa Cruz sejam lançados novamente na próxima semana. Já o terceiro, da região noroeste de Campo Grande, ainda não sofreu alterações e deverá receber as propostas das cooperativas interessadas no próximo dia 3.

O prazo para concluir o lançamento dos editais para os 19 bairros da Área de Planejamento 5, na Zona Oeste, termina em fevereiro de 2010.

Fonte: Extra Online

Garagem da Garuvatur é alvo de incêndio misterioso

Um incêndio na madrugada de ontem em Garuva, na região Norte, causou um prejuízo de pelo menos R$ 300 mil à única empresa de transporte coletivo da cidade, a Garuvatur. Seis ônibus que estavam na garagem foram danificados. Ninguém ficou ferido.

Dos quatro ônibus municipais afetados pelo incêndio, um teve perda total, dois sofreram danos parciais (como vidros quebrados e pintura derretida) e um teve apenas um pequeno dano em um dos vidros. Já um dos dois ônibus de turismo usado no transporte dos estudantes e em viagens teve a parte interna bastante queimada. O outro teve vidros quebrados, pintura derretida e alguns bancos chamuscados.

O fogo na garagem, na entrada da cidade, começou entre meia-noite e uma hora da madrugada, segundo o Corpo de Bombeiros de Garuva. Duas equipes de bombeiros foram mobilizadas e seis mil litros de água foram usados para apagar o incêndio.

Dois funcionários que pernoitavam no local relataram a um dos sócios da empresa, Helmut Ziasch, 48 anos, que ouviram um estalo. Ao ver o que era, as chamas já tomavam conta do ônibus em que o fogo se originou. O veículo havia ido para a garagem pouco antes do incêndio, por volta das 21h30 de segunda-feira. O delegado Rodrigo Carriço Lemes, que investiga o caso, aguarda laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Joinville para determinar a causa do fogo. “Em princípio, não há pistas sobre se foi incêndio criminoso ou não”, afirma. O laudo pericial deve ficar pronto em 15 dias.

Segundo o delegado, Helmut Ziasch disse à Polícia Civil que não sabia o que poderia ter causado o incêndio. À reportagem, o sócio da empresa disse que desconfia de incêndio criminoso, embora não tenha como provar. “Muita gente circula nessa região. A empresa já foi alvo de assalto no ano passado e o chão de um dos ônibus ficou mais danificado do que os bancos. É como se fosse jogado algo que permaneceu queimando”, relata.

A empresa não tem seguro e tem três ônibus financiados, segundo o sócio e uma financeira. “Vamos tentar recuperar alguma peça, montar outro ônibus com o que sobrar dos queimados. Vamos reconstruir”, diz o empresário.

Em julho do ano passado, a empresa foi alvo de um assalto. Os dois funcionários que pernoitavam no local foram rendidos, amarrados e torturados. Os dois assaltantes pretendiam roubar tacógrafos (aparelhos que medem a velocidade dos ônibus), mas acabaram presos.

Fonte: Jornal A Notícia

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

São Paulo leiloará 100 ônibus

Veículos não atendem mais as exigências do órgão municipal, mas muitos estão em condições de uso

A São Paulo Transportes, empresa gerenciadora dos Transportes Municipais da Capital Paulista, com a empresa Andrade Leilões, vai leiloar 100 lotes de ônibus urbanos usados e 25 lotes de materiais para o transporte público. A iniciativa faz parte da renovação da frota de ônibus da Capital Paulista. Os veículos, todos urbanos, estão nas mais diversas condições, desde bons para o uso até com poucas condições, mas que podem ter peças aproveitadas ou serem reformados. O leilão ocorre no dia 3 de dezembro às 10 horas, num pátio da Avenida Pirâmide, 435, Jardim Inamar, saída 20 da rodovia dos Imigrantes. Em Diadema, na Grande São Paulo. Os veículos podem ser visitados por interessados antes do leilão, até o dia 02 de dezembro na Avenida Guido Caloi, 1600- em Santo amaro e os materiais para uso em transporte público na Rua Santa Rita, 590, no Pari. Leva o ônibus quem der o maior lance e mais 5 por cento do valor como comissão ao leiloeiro. Dívidas de serviços públicos ou na Justiça que os ônibus tiverem serão de responsabilidade do comprador, assim como débitos bancários. De acordo com a Luis Andrade Leilões, há veículos de todas as marcas, como Mercedes Benz, Scania e Volvo, alguns com condições de uso em cidades menores ou que exigem uma idade média de frota um pouco maior que na Capital Paulista. Todos os ônibus veículos serão entregues com documentação, um encargo a menos para o comprador. Para participar do leilão, não é necessário atuar no ramo de transportes. Muitos destes ônibus são usados em fazendas, para transporte rural , e até prefeituras de diversas localidades para transporte escolar e de funcionários.


Adamo Bazani, busólogo, repórter da CBN e interessado em saber onde os ônibus que fizeram parte do dia a dia de São Paulo vão parar.

Sorocaba deve colocar em operação primeiros 48 ônibus das empresas emergenciais em 10 linhas cassadas da TCS

Após três meses de espera parte dos novos ônibus (48 dos 180 carros) das quatro empresas contratadas emergencialmente pela Urbes Trânsito e Transportes estarão nas ruas servindo dez diferentes linhas, a partir das quatro horas da madrugada desta 5ª feira (19). Pelo menos era essa a previsão da Urbes Trânsito e Transportes e do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região até a noite de ontem. Nem mesmo o jurídico da Transporte Coletivo Sorocaba (TCS), empresa que perdeu as dez linhas da concessão a partir de hoje, duvidava disso no início da noite de 4ª feira (18).

“Vamos acionar a Justiça mas até o momento não movemos nenhuma medida cautelar”, dizia o advogado Marco Antonio Rovito. A intenção é que a partir de segunda-feira haja a substituição em mais linhas, gradativamente, até trocar toda a frota dos ônibus da TCS pelas emergenciais. Nos novos veículos estão os mesmos trabalhadores que já faziam essas linhas. E a greve anunciada pelo Sindicato fica descartada.

Ontem a Urbes informou que a ausência de solução amigável ou judicial, até o momento, bem como a ameaça de paralisação em parte do sistema pelo Sindicato, levaram a Urbes a promover a emissão das ordens de serviços às quatro empresas contratadas para o inicio dos serviços em caráter emergencial: Auto Ônibus São João, Jundiá Transportadora Turística, Empresa de Ônibus Rosa e Empresas Reunidas Paulista de Transportes.

Com relação às questões trabalhistas, a Urbes divulgou que a contratação dos trabalhadores da TCS respeita um compromisso formal, que consta das propostas de trabalho das empresas contratadas emergencialmente. Agora eles têm dois registros simultâneos em suas carteiras de trabalho, um da TCS e outro de uma das novas empresas que fez as contratações. A alegação da Urbes era que a nova frota só não saía às ruas porque a TCS recusava-se a rescindir os contratos com os trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, Paulo João Estausia, diz que a greve fica descartada a partir de hoje, se os ônibus estiverem nas ruas. O Sindicato anunciou a greve na quarta-feira para início na próxima segunda-feira, justificando a falta de segurança dos ônibus da TCS que estavam sendo usados pela intervenção da Urbes. O próprio presidente do Sindicato citou que a TCS deve tentar uma decisão liminar na Justiça para suspender cautelarmente a prestação dos serviços das novas empresas. O presidente do Sindicato declarou que as empresas emergenciais vão contratar todos os funcionários da TCS com os mesmos salários e benefícios.

Quanto ao registro na carteira de trabalho em duas empresas simultaneamente, o presidente do Sindicato citou que segue uma sugestão da própria Justiça do Trabalho. Declarou que a TCS não pode demitir os trabalhadores por justa causa porque, a partir do momento que ela não tem mais as linhas, também não pode exigir a permanência de motoristas para fazer qualquer outra coisa que não seja dirigir os ônibus. “A legislação proíbe que esses trabalhadores fiquem ociosos dentro da empresa porque configura um tipo de castigo, eles têm que estar desempenhando as atividades deles”, citou Estausia.

Linhas

Na terça-feira a TCS divulgou que a partir da zero hora de hoje cessaria a operação de dez linhas da TCS. As linhas operadas pelas novas empresas são: Linha 02 - Brasilândia; Linha 03 - Nova Esperança; Linha 05 - Vila Carvalho / Vila Fiori; Linha 14 - Santa Rosália; Linha 19 - Progresso; Linha 26 - Ipanema / Bom Jesus; Linha 28 Mineirão; Linha 58/1 - Vitória Régia /Sorocaba Park / Jardim Cardoso; Linha 59 - Maria Eugenia; Linha 75 Campininha. Os novos ônibus são equipados com elevador para deficientes, câmeras de monitoramento em tempo real, só andam com as portas fechadas que só abrem ou fecham quando o veículo estaciona.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Agrale apresenta seu primeiro ônibus híbrido


A Agrale apresentou, nesta quarta-feira (18), seu ônibus híbrido — movido a diesel e a eletricidade — em Santiago do Chile. Segundo a empresa, o veículo reduz o consumo de combustível em aproximadamente 30% e, consequentemente, a emissão de poluentes na mesma proporção. A tecnologia é indicada para sistemas de transporte público de grandes cidades.

“Nosso objetivo é apresentar o veículo às autoridades responsáveis pelo transporte urbano das grandes metrópoles e ao mesmo tempo colher informações e resultados que contribuam para o aperfeiçoamento do produto”, disse em nota o presidente da Agrale, Hugo Zattera.

O veículo utiliza dois motores elétricos como fonte de tração e um motor a diesel como fornecedor de energia. A exemplo dos carros híbridos e elétricos, o sistema de gerenciamento eletrônico garante o reaproveitamento da energia despendida nas frenagens e desacelerações, para ser utilizada na alimentação dos motores elétricos.

O primeiro veículo com a tecnologia é um ônibus urbano “low entry”, que facilita o acesso dos passageiros, encarroçado pela Marcopolo sobre chassi midibus Agrale com motor traseiro Cummins ISBE de 170 cv de potência.

Fonte: Agrale/G1

Mais 12 ônibus são apreendidos no Rio de Janeiro por causa de irregularidades

Em mais uma operação realizada em terminais de ônibus da cidade, fiscais da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) multaram nesta quarta-feira, 12 ônibus de quatro linhas com ponto final nas ruas Judite Guerra e Comendador Guerra, na Pavuna. Os veículos apresentavam várias irregularidades que contrariam o Código Disciplinar de Transportes do Município, tais como banco solto, falta de limpeza interna, extintor vencido e mau estado da carroceria.

Os fiscais aplicaram multas em três coletivos da linha 779 (Madureira-Pavuna), da empresa Pavunense; um da 793 (Magalhães Bastos - Pavuna), também da Pavunense; quatro da linha 945 (Pavuna- Cidade Universitária) e mais quatro da 945B (Pavuna-Coelho - Neto), ambas da empresa Auto Diesel. As fiscalizações nos terminais e pontos finais de ônibus da cidade são feitas a partir de reclamações enviadas à Ouvidoria da SMTR, através do Disque-Transportes ( 2286-8010) ou pelo site: http://www21.rio.rj.gov.br/siso/internet/ouvidoria.htm

Na semana passada, a equipe da Coordenadoria Regional de Transportes da Zona Norte, responsável pela operação de hoje, lacrou quatro ônibus e multou outros 11 no nas ruas do entorno do Madureira Shopping. Os veículos pertenciam à linha 355 (Madureira-Tiradentes) e apresentavam irregularidades, entre elas o mau funcionamento das luzes de freio e de ré, além de vazamento de óleo.

Fonte: Blog do Sydney Rezende

Jaraguá do Sul poderá usar passes de papel até domingo

A grande procura e reclamação por parte dos usuários fez com que a empresa de transporte urbano Canarinho prorrogasse até domingo o prazo para a utilização dos passes de papel. Mas a troca, segundo o diretor de operações, Rubens Missfeldt, terminou mesmo na quarta-feira. — Decidimos prorrogar o uso para ajudar quem acabou esquecendo ou não teve tempo de fazer o cadastro, mas a troca por créditos no cartão acabou—, explica Missfeldt.

Na quarta-feira pela manhã, data anunciada pela empresa como final para a o cadastro e troca dos passes, no escritório de cadastramento mais filas e indignação das pessoas que esperavam para fazer o cadastro.

A dona de casa, Amália Martins, 45 anos, esperava na fila havia uma hora e meia e disse que não fez o cartão antes porque achou que a empresa pudesse mudar o sistema. — Pensei que eles não iam implantar isso e que não precisaria desse cartão. Agora que o prazo está acabando, vim fazer—, contou. Ela mora em Schroeder e não gostou da ideia de ter que fazer um cartão pessoal para usar o ônibus.

O cadastramento continua a ser feito no escritório da empresa até sábado de manhã, mas a empresa informa que todas as pessoas que estiverem na fila serão atendidas, por meio de distribuição de senha. A Canarinho está conseguindo confeccionar e disponibilizar o cartão para o usuário em até 24 horas.

Fonte: A Notícia / Click RBS

Santo André encosta 18 ônibus escolares por falta de licitação

Dezoito ônibus da Secretaria de Educação de Santo André, que tiveram painéis e tacógrafos roubados no início do mês de agosto, estão parados em um pátio da Prefeitura no Parque Capuava desde a época do crime. Dez deles são praticamente novos, com menos de três anos de uso. Segundo a Prefeitura, uma licitação deverá ser aberta ainda neste mês para que seja realizado o reparo, mas não existe prazo para que os veículos voltem a rodar.

Estacionados lado a lado, os ônibus não receberam qualquer tipo de manutenção ou limpeza desde o furto. O mato já está crescido ao redor dos ônibus e a poeira de cor escura passa a recobrir os ônibus. Uma imagem que chega a lembrar os pátios de veículos rebocados das prefeituras.

Com apenas 14 dos 32 veículos da frota em operação - uma disponibilidade de 43% - a Secretaria de Educação estaria conseguindo manter apenas o transporte regular de alunos. Passeios escolares foram cortados.

R$ 3,5 MILHÕES - Parte dos veículos danificados são de um lote de 15 ônibus entregues novos à Prefeitura em 2007. Comprados para servir ao transporte de estudantes da rede pública ao Sabina Escola Parque do Conhecimento, no bairro Paraíso, a administração desembolsou à época R$ 3,5 milhões para adquirir os veículos.

O Diário realizou uma pesquisa junto a vendedores de autopeças e apurou que o gasto com peças para repor os tacógrafos e painéis furtados ficaria na faixa dos R$ 70 mil.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Santo André respondeu que uma licitação chegou a ser aberta, mas como não houve interessados, a administração municipal pretende publicar ainda este mês outro edital. Caso a falta de empresas interessadas se confirme, a Prefeitura deverá partir para a compra direta dos equipamentos.

Em relação à suspensão de passeios e excursões, a administração destacou que "está priorizando o transporte das crianças de suas residências para as escolas, deixando em segundo plano a realização de passeios e atividades extraclasse."

Ainda segundo a administração, a secretaria conta com 13 vans para o transporte de alunos da rede municipal, sendo quatro delas adaptadas para o transporte de deficientes.

Veículo destinado à inclusão digital está abandonado

No mesmo pátio em que peças de 18 ônibus foram furtadas em agosto, um coletivo branco de pintura já bem desgastada chama atenção pelo seu estado de abandono.

Há quatro meses no pátio da Secretaria de Educação de Santo André, o veículo - que permanece trancado - possui inscrições do Projeto Rede Cidadania de Inclusão Digital, da Prefeitura de Santo André.

Pelos seus vidros embaçados e sujos, ainda é possível ver uma série de computadores em seu interior. Muita poeira e a falta do tacógrafo marcam o posto do motorista.

Ao serem questionados pela reportagem, os funcionários do pátio não souberam informar onde estava guardada a chave da porta que divide o condutor dos computadores.

Fonte: Diário do Grande ABC

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Scania vende 215 chassis para o grupo Gontijo

A Scania comercializou 215 unidades de chassis de ônibus com o Grupo Gontijo, maior frotista da marca em todo o mundo, em mais uma demonstração da longa parceria entre as duas empresas. Os veículos serão utilizados pelas empresas Gontijo e São Geraldo, subsidiárias da companhia, no transporte de passageiros em linhas interestaduais que cobrem todo o País.


O primeiro lote, adquirido em uma negociação de aproximadamente 60 milhões de reais, está dividido em 205 unidades do modelo K 420 6x2, ideal para longas distâncias, e outras 10 do F 270 4x2, para aplicações intermunicipais em percursos menores. Trata-se da primeira venda de modelos da série F com essa configuração a um operador brasileiro.


“O Grupo Gontijo inicia o processo de renovação de sua frota com mais uma demonstração de confiança na marca Scania. Esse é o resultado de uma relação de parceria que vem sendo fortalecida há mais de 30 anos por meio da entrega de produtos que superam as expectativas da Gontijo e de seus usuários. Temos orgulho em contribuir com o crescimento e fortalecimento do maior frotista Scania no mundo”, afirma Wilson Pereira, gerente executivo de Vendas de Ônibus da Scania no Brasil.


Os modelos K 420 6x2 estão equipados com a nova caixa de câmbio GR 875 R, que já vem com freio auxiliar Scania Retarder integrado, o que garante mais segurança nas frenagens durante o trajeto. Todos os novos chassis serão entregues até o final deste ano.


Atualmente, dos cerca de dois mil veículos que compõem a frota do Grupo Gontijo mais de 70% são Scania. A última grande negociação entre a montadora e o grupo aconteceu em 2007, quando a Gontijo adquiriu 154 chassis de ônibus da marca.


Fonte: Scania do Brasil

Ministério Público pede redução de tarifa de ônibus em Natal/RN

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, através das Promotorias de Defesa do Consumidor e do Idoso, ajuizou uma ação pedindo a redução da tarifa de ônibus para R$1,85, valor cobrado antes do último reajuste, em setembro de 2009. A ação também pede a aplicação e cobrança de multas contra as empresas que, juntas, somam mais de R$ 1 milhão. Isso porque o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn) e as empresas de ônibus do município não cumpriram dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) assinados com as duas promotorias.

O primeiro TAC, assinado em 2007 com a Promotoria do Consumidor, estabelecia, entre outras coisas, que o Seturn e as sete empresas de ônibus da capital fornecessem 20 micro-ônibus adaptados para o Programa de Acessibilidade Especial (PRAE) até o dia 04 de setembro de 2009.

O segundo TAC, assinado com a Promotoria do Idoso em 2008, estabelecia, também entre outras coisas, que, caso o TAC não fosse cumprido até a data determinada, a passagem de ônibus deveria ser reduzida ao valor antigo.

“Não existe mais discussão de mérito porque isso já é um acordo assinado, no qual todo mundo concordou que o descumprimento arrecadaria essas consequências”, explicou a promotora de defesa do idoso Iádya Gama. Segundo ela, o juiz já deve ter uma decisão na manhã de hoje.

O assessor jurídico do Seturn, Vlademir Capistrano, alegou que os micro-ônibus não foram entregues no prazo estabelecido porque a Prefeitura teria descumprido a data para reajuste da tarifa. “No TAC também estava previsto que a Prefeitura deveria fazer o reajuste em junho, mas só fez em setembro. Como nossas despesas são financiadas pelas tarifas, um atraso no pagamento por parte da Prefeitura também arrecadaria um atraso da mesma quantidade de tempo (90 dias) nas nossas obrigações”, argumentou. Seguindo as alegações, o novo prazo para a entrega dos micro-ônibus seria o dia 04 de dezembro.

No entanto, a promotora Iádya Gama mostrou à TN um ofício enviado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), no qual eles pediam a readequação do TAC, alegando que o PRAE não era satisfatório e que os outros 10 micro-ônibus adaptados poderiam ser substituídos pelos novos 100 ônibus adaptados que estão prometidos para o próximo ano. A promotora Iádya Gama considera que a troca não é vantajosa, uma vez que a lei já obriga a substituição. “Até julho de 2010 todos os ônibus terão que ser adaptados, já tem uma lei que diz isso. Além disso, os ônibus comuns não vão pegar as pessoas que participam do PRAE na porta e deixar nas clínicas, como o Programa faz”, disse.

Quanto à ação ajuizada ontem pelo MPE, o Seturn preferiu não dar declarações. “Ainda não recebemos a notícia oficial sobre a ação em questão, então não temos conhecimento do teor da ação. Estamos aguardando o recebimento de uma cópia para podermos falar mais sobre isso”, disse Vlademir Capistrano.

Secretário critica falta de comunicação

O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Kelps Lima, considera uma divergência de “visão administrativa”, além de falta de comunicação, a briga entre Ministério Público e Seturn por conta do não cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta. Para Kelps, o acordo realizado entre a secretaria e o Sindicato durante o último reajuste, em setembro, “compensa” o não cumprimento do TAC.

“Conseguimos 100 novos ônibus, cujos primeiros 50 veículos devem ir para a rua em 30 dias, além dos ônibus que circulam apenas na Zona Norte com preço menor, de R$ 1,50. Esses são grandes avanços, que não podem ser desprezados”, afirma Kelps Lima, acrescentando que a volta da passagem ao preço de R$ 1,85 desfaria o acordo. “Não podemos retroceder em todos os avanços que conseguimos esse ano”, complementa.

Como os 100 novos ônibus são adaptados para portadores de necessidades especiais, as aquisições teriam um efeito ainda mais benéfico para a inclusão dessas pessoas. “O TAC estima 10% da frota adaptada, a partir dos micro-ônibus do Prae, e com os novos ônibus iremos chegar a quase 30%”, complementa. Hoje, existem 88 ônibus adaptados, de acordo com o Seturn. Devem chegar mais 50 em dezembro e outros 50 em março de 2010. Isso totaliza 188 ônibus adaptados, dos 630 da frota atual, num percentual de 25%. “Será a maior frota do país em termos de ônibus adaptados para portadores de necessidades especiais. E estamos incluindo essas pessoas no sistema comum, o que é mais justo e recomendável”, afirma o secretário.

Além disso, a Semob identifica uma utilização dos serviços do Prae que difere dos propósitos iniciais. O Prae é um projeto originalmente ligado à Secretaria de Saúde. No TAC é colocado como uma ferramenta para a inclusão. “A maior parte dos usuários do serviço não é de portadores de necessidades especiais, mas de pessoas com problemas de mobilidade por questões de saúde”, opina. Para Kelps Lima, o serviço é de suma importância e precisa ser rediscutido entre as secretarias de Mobilidade e de Saúde.

Fila para o Prae é de 200 pessoas

O Programa de Acessibilidade Especial (Prae) é avaliado pelos seus usuários como um serviço de boa qualidade, quando é ofertado, mas insuficiente na quantidade de veículos disponíveis. Faltam micro-ônibus, em outras palavras. A Semob confirma a informação. De acordo com o secretário-adjunto de Transporte, Sílvio Medeiros, a fila para ter acesso ao serviço porta a porta é de 200 pessoas. Sílvio atribui o dado à Secretaria Municipal de Saúde.

Hoje, o Prae atende a uma média de 220 pessoas por mês. Do início do ano até agosto, foram 2.322 atendimentos. Esses são os dados mais recentes disponibilizados pelo Seturn. A Semob alega que a média de atendimentos a cadeirantes é de 60 por mês, ou seja, menos da metade do total. “Hoje a maior parte dos atendimentos é para pessoas com problemas de saúde, para fazer fisioterapia, hemodiálise, esse tipo de coisa. É um atendimento mais de saúde do que de transporte”, avalia Sílvio Medeiros.

Para ter acesso ao serviço, é preciso ser incluído em um cadastro na Semob, com todos os dados e uma prescrição médica que ateste a impossibilidade de locomoção. De acordo com os usuários, é fácil ser cadastrado, o difícil é esperar a fila. “É um serviço muito bom, de ótima qualidade, mas que não dispõe de veículos em número suficiente. A fila é longa e demora”, afirma Nazilde Dutra, fundadora da Associção Norte-riograndense Pró-idosos. Os micro-ônibus do Prae seguem uma escala diária, pegando e retornando com os usuários para casa.

Dessa forma, nem todos que precisam têm acesso ao Prae. É o caso de Igres Neves, portadora de necessidades especiais, que frequenta diariamente a Apae. Igres vai e volta com sua mãe, Selma Neves, sempre nos ônibus da rede comum. “Uso o sistema comum porque não há vagas no Prae para a minha filha. Além de sempre estar lotado, nem todo mundo é educado para dar lugar a ela. A gente sofre para vir na Apae”, conta Selma.

Para o secretário-adjunto de Tranporte, Sílvio Medeiros, existe uma falha logística no Prae. “Eram 200 atendimentos até o ano passado, com cinco veículos, e hoje são 240 com 15 ônibus. Temos a informação que os carros passam mais tempo parados do que trabalhando. Iremos rever toda a logística com a Secretaria Municipal de Saúde”, encerra Sílvio Medeiros.

Fonte: Tribuna do Norte