domingo, 28 de junho de 2009

Terminou a greve de motoristas e cobradores de ônibus de Recife

A greve dos trabalhadores rodoviários chegou ao fim, menos de 24h após ter sido deflagrada. No início da noite do ontem, uma sentença arbitral concedida pela Procuradoria Regional do Trabalho 6ª Região (PRT 6), determinou um aumento de 5,5% no salário dos profissionais. O piso salarial passa a ser de R$ 1.205,00 para motoristas, R$ 780,00 para fiscais e despachantes e R$ 556,00 para os cobradores de ônibus. A decisão foi proferida pelo procurador Aluísio Aldo da Silva Júnior. Antes, ele tentou uma mediação coletiva com a participação do sindicato patronal e dos trabalhadores, além da presença do presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, Dilson Peixoto, mas não houve consenso. Apesar de rápida e com pouca adesão, a greve causou transtornos para os cerca de 1,8 milhão de usuários de transporte público na RMR, principalmente no início da manhã. Alguns rodoviários voltaram ao trabalho já na noite de ontem. Os valores das passagens não serão alterados.

Durante negociação, os rodoviários baixaram o pedido de reajuste salarial para 9%. Desde maio, eles pediam um aumento superior a 13%. Já os empresários cederam e chegaram a elevar a sua oferta de 4,47% da última quinta-feira para 5,36% ontem. Segundo o procurador Aluísio Aldo da Silva Júnior, o aumento de 5,5% representa um meio termo que beneficiou as duas partes. "Não prestei atenção em percentual. Preferi trabalhar com os valores para deixar o número redondo. Ficou decidido também que não haverá desconto do dia de greve e nem retaliação", explicou.

Representantes dos motoristas e do sindicato patronal (Setrans) fizeram suas considerações em relação à greve. As partes não saíram satisfeitas, mas disseram que iriam cumprir a decisão do Ministério Público do Trabalho. "O aumento é maior do que poderíamos arcar, mas não podíamos deixar de atender à procuradoria. Também não podemos deixar a população sem ônibus", disse o presidente do Setrans, Fernando Bandeira. Ele acrescentou que apesar da greve ter tido pouca adesão, houve prejuízo, mas não soube dizer quanto. Também disse que foram contratados cerca de 100 pessoas para trabalhar no lugar dos grevistas.

O presidente do sindicato dos rodoviários, Patrício Magalhães, disse que a tarefa foi cumprida. "Todo movimento foi grandioso, principalmente no início da manhã. Depois os trabalhadores se sentiram pressionados pelos patrões e pela polícia. Aí, muitos desistiram da greve", afirmou. A PM trabalhou 760 homens. Segundo Patrício, a adesão foi justa e a paralisação pela manhã chegou perto de 90%. Já o Grande Recife Consórcio rebateu que o dia amanheceu com uma frota de 66% nas ruas e no início da tarde, esse percentual chegou a 83,9%. Com o final da greve, o saldo de depredações foi de três coletivos, sem feridos, bem inferior ao do ano passado, que chegou a 83.

Fonte: Marta Telles / Diário de Pernambuco

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